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Professora
Regina Helena Silva Simões
Por Maria José Silveira da Silva
Fotos Guilherme Santos Neves Neto
A professora Regina Helena Silva Simões é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo. Junto com os professores Sebastião Pimentel Franco e Maria Alayde Alcantara Salim organizou a obra “Ensino de História, Seus Sujeitos e Suas práticas”. É um pouco sobre esse trabalho que a professora Regina fala nessa entrevista.
Os artigos reunidos neste livro representam conhecimentos produzidos nos últimos doze anos sobre ensino-aprendizagem de história. Quais são os maiores desafios para se formar o professor/pesquisador de História na Universidade?
Realmente, Adriano, Erildo, Marcelo, Maria Alayde, Raquel, Regina Bitte, Sandro, Sebastião e eu conseguimos reunir pesquisas realizadas desde 1994, no PPGE-UFES. Temos muito a agradecer aos sujeitos que nos receberam nas diversas instituições de ensino pesquisadas. Pontuo os seguintes percursos sinalizados pelos estudos e pesquisas de nosso livro: valorização de fazeres/saberes produzidos na/pela escola; novos olhares compartilhados – sentido de parceria-colaboração; valorização das culturas escolares; ênfase à pluralidade das práticas escolares; a busca da gestão democrática das escolas; epistemologização de saberes docentes; valorização de formas diferentes de ensinar-aprender: novas fontes, novas tecnologias, etc; interface entre diferentes instituições de ensino e pesquisa (ex. relação escola-museu) e Movimento teoriapráticateoria na produção de conhecimentos nas escolas. O marco mais importante é a problematização das práticas escolares e da prática social da educação pelos professores e professoras, não só quando atuam como pesquisadores, mas também quando participam de pesquisas desenhadas com base em pressupostos que enfatizam a colaboração, a intervenção e a invenção nos/dos cotidianos escolares.
Algumas pessoas comentam nos círculos escolares que muitos professores ainda optam por ensinar aos alunos a história do ponto de vista oficial, embora hoje o acesso à informação seja muito maior. O que a srª acha disso?É muito difícil romper esse ciclo?
No caso das práticas de professores e professoras, falamos no livro de continuidades e descontinuidades, de marchas e contramarchas em que a história ensinada, a história vivida e a história pensada habitam zonas multifacetadas de convivência entre o passado, o presente e o futuro. Uma coisa, porém, permanece: a centralidade de professores e professoras, sempre ativos(as) quando se trata de “fazer acontecer” a escola. Em outras palavras, falamos da circularidade de saberes e de fazeres que permeiam as práticas escolares, tornando-as inapelavelmente abertas à mudança, admitindo-se os seus condicionamentos (que não devem ser confundidos com determinação) históricos, sociais, culturais e políticos. Portanto, entendo que a percepção desses condicionamentos seja também capaz de potencializar desejos de mudança e rupturas, especialmente quando entendidos na sua historicidade.
Este livro, como vocês colocaram, é uma tentativa de estabelecer diálogos entre a Educação e a história e tem mais interrogações do que respostas. Como afirmar o valor e o sentido do ensino da história num quadro de crise em que vivemos?
Como você bem acentuou, em tempos de crise certamente não teremos respostas inteiras. Acredito que um excelente ponto de partida seja interrogar, individual e coletivamente, experiências tanto instituídas como instituintes, em busca da formação e da valorização de sujeitos cujas práticas sociais e educativas, em movimentos de tradução, inteligibilidade e solidariedade, sejam capazes de povoar e tecer espaçostempos da educação não apenas com indignação, mas também com a invenção de possíveis. Em outras palavras, se tentativas de prolongar o passado e o presente em nome do futuro, necessariamente fracassarão, mais do que propor “respostas” às crises anunciadas, trata-se, mais do que nunca, de aprendermos a formular perguntas.
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